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Notícias

14/01/2026

Polícia Civil deflagra operação contra quadrilha que lavou quase R$ 100 milhões com jogos de azar

Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026 (14h04)

carrossel.jpegA Polícia Civil realizou nesta terça-feira (13) a "Operação Quebrando a Banca", com o objetivo de desarticular uma organização criminosa responsável por lavar quase R$ 100 milhões obtidos por meio da exploração ilegal de jogos de azar. A ação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em cinco cidades: São Paulo, Ribeirão Preto, Mogi-Mirim, Santa Rosa do Viterbo e São João da Boa Vista.

As investigações foram conduzidas pela Divisão Especializada de Investigações Criminais de Piracicaba (Deic/Deinter 9) e apontam que o grupo atuava há décadas no esquema criminoso. Os envolvidos utilizavam empresas de fachada e uma ampla rede de “laranjas” — pessoas que emprestavam seus nomes para ocultar os verdadeiros beneficiários dos recursos ilícitos — com o objetivo de esconder o dinheiro proveniente das atividades ilegais.

As apurações tiveram início a partir de prisões relacionadas à prática de jogos de azar. Apesar de se tratar de um crime de menor potencial ofensivo, a atividade acabou revelando a existência de delitos mais graves, como lavagem de dinheiro e organização criminosa.WhatsApp Image 2026-01-14 at 11.39.59 (1).jpeg

“Identificamos um número muito grande de pessoas que levavam uma vida simples, mas movimentavam milhões de reais por mês. Elas eram utilizadas como ferramentas para afastar os verdadeiros líderes da mira da polícia. Foi um trabalho longo até chegarmos ao topo da organização. Também identificamos empresas que auxiliavam na ocultação dos bens, formando uma verdadeira rede de lavagem de capitais que atuava em São Paulo e Minas Gerais”, explicou o delegado divisionário da Deic de Piracicaba, Marcel Willian de Souza.

Relatórios de inteligência financeira apontaram que o principal líder do grupo movimentou mais de R$ 25 milhões em apenas um semestre de 2024, além de apresentar histórico de transações milionárias em anos anteriores. Parte da cúpula da organização utilizava a compra e venda de imóveis com pagamento em espécie e a aquisição de bens registrados em nome de terceiros para dissimular a origem do dinheiro.

Já o núcleo operacional era composto por gerentes e operadores financeiros responsáveis por pulverizar grandes quantias por meio de centenas de transferências via Pix e depósitos em dinheiro, prática conhecida como smurfing, utilizada para dificultar o rastreamento dos valores pelas autoridades.

As investigações também identificaram o envolvimento de uma empresa com capital social declarado de R$ 36 milhões, apontada como destino de transferências milionárias realizadas pela liderança da quadrilha. Somando as movimentações financeiras atípicas, o capital social das empresas utilizadas, o patrimônio imobiliário oculto e a frota de veículos — estimada em cerca de R$ 18 milhões —, os policiais calculam que o montante total de ativos e valores movimentados pela organização criminosa chegue a R$ 97,2 milhões.

Durante a operação, foram apreendidos dispositivos eletrônicos, equipamentos utilizados em apostas, veículos e quantias em dinheiro. As investigações continuam para identificar outros integrantes do esquema e aprofundar a responsabilização criminal dos envolvidos.

Fonte: Deinter 9 - dss

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